Parábola dos Talentos

 



Introdução

Neste estudo, propõe-se refletir sobre algumas questões fundamentais:
O que se entende por parábola? Como está estruturada a Parábola dos Talentos? O que significa talento? E qual é o seu sentido metafórico?


O Conceito de Parábola

A palavra “parábola” deriva do grego parabolé, significando narrativa curta, muitas vezes identificada com o apólogo ou a fábula. Trata-se de uma forma de metáfora, isto é, um argumento que estabelece uma comparação ou paralelo para transmitir ensinamentos.

Na Antiguidade, a parábola era amplamente utilizada como instrumento de transmissão de conhecimentos, especialmente entre iniciados. De forma sintética, pode-se defini-la como uma narração alegórica na qual o conjunto dos elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior.


O Conceito de Talento

No sentido comum, talento refere-se ao grau de aptidão de uma pessoa, à capacidade de adquirir conhecimentos com facilidade em determinados setores — característica associada ao gênio, à virtuosidade, à compreensão, ao conhecimento e à responsabilidade.

Historicamente, talento era também uma unidade de peso e moeda na antiga Grécia e Roma. Na Grécia, equivalia a 60 minas, sendo cada mina composta por 100 dracmas, totalizando 6.000 dracmas.

No sentido metafísico, segundo Kant, talento é “uma superioridade da faculdade conhecedora que não provém do ensino, mas da aptidão natural do sujeito”.


Parábola: Imagem e Doutrina

As parábolas utilizam imagens extraídas das tarefas cotidianas e das ocupações mais humildes: operários da vinha, sementes que crescem, redes lançadas ao mar, a dracma procurada, crianças que brincam, imprudentes que dormem.

Por meio dessas imagens simples, Jesus ensinava verdades profundas sobre o Reino de Deus. A parábola apresenta um dinamismo próprio, muitas vezes estruturado em paradoxos, conduzindo a uma página doutrinária de elevado conteúdo espiritual.


Por que Jesus Falava por Parábolas?

Jesus utilizava parábolas para:

  1. Despertar a curiosidade dos ouvintes e estimular o desejo de explicações mais profundas, que os discípulos e os bem-intencionados buscavam.
  2. Revelar os mistérios do Reino dos Céus apenas àqueles preparados para compreendê-los. “Vendo, não veem; ouvindo, não ouvem nem compreendem.”
  3. Falar de modo esotérico (mais obscuro) sobre aspectos abstratos da doutrina, mas de forma clara (exotérica) quando tratava da caridade. Aos apóstolos, explicava mais abertamente — embora nem a eles tenha revelado tudo.
  4. Demonstrar que a verdade não é simples tarefa construtiva, mas conquista evolutiva.

Esquema da Parábola dos Talentos

A parábola retrata um homem que, ao ausentar-se, distribui seus bens entre seus servos em diferentes quantidades: cinco, dois e um talento.

Alguns multiplicam o que receberam; outro conserva intacto o talento recebido, sem fazê-lo frutificar.


Interpretação Espírita (Irmão X)

Na interpretação atribuída ao Espírito Irmão X, a parábola refere-se à responsabilidade de multiplicar os bens recebidos.

Esses “bens” podem representar dinheiro, poder, conforto, habilidade, prestígio, inteligência e autoridade. Quando bem aplicados, transformam-se em trabalho, progresso, amizade, esperança, gratidão, cultura, experiência e conhecimento espírita.

Se o Criador nos concede a luz do Conhecimento Espírita, não devemos ocultá-la por medo de represálias ou dissabores. Ao difundir a luz da verdade, contribuímos para iluminar aqueles que detêm poder, dinheiro e inteligência, ajudando a construir um mundo mais justo e fraterno.


Considerações Metafóricas

Metaforicamente, a Parábola dos Talentos ensina sobre a responsabilidade individual na multiplicação das oportunidades, capacidades e recursos que recebemos.

Não devemos manter nossos talentos intactos por medo ou comodismo. Somos chamados a desenvolvê-los e colocá-los a serviço do próximo.


Conclusão

É necessário refletir sobre nossos talentos ocultos. Não esperemos que o Senhor venha cobrar-nos para somente então utilizá-los em benefício do próximo.


Fontes de Consulta

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.
XAVIER, Francisco Cândido. Estante da Vida, pelo Espírito Irmão X. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974.
Dicionários e Enciclopédias.

Transcrição da apresentação — em PowerPoint — de Sérgio Biagi Gregório, datada de 2003, feita pela Inteligência Artificial em fevereiro de 2026.




Apostila do Curso de Educação Mediúnica (1.º ao 4.º Ano) do Centro Espírita Ismael

 


As apostilas dos Cursos do Centro Espírita Ismael foram confeccionadas na década de 1990, com o intuito de direcionar o ensino e a aprendizagem da Doutrina Espírita, em seu tríplice aspecto de Ciência, Filosofia e Religião.

No 1.º ano, denominado Curso Básico de Espiritismo, o objetivo é fornecer os princípios fundamentais da Doutrina Espírita, que estão disseminados em O Livro dos Espíritos.

No 2.º ano, denominado 2.º do Curso de Educação Mediúnica, o objetivo é discutir temas de O Livro dos Médiuns e, ao mesmo tempo, introduzir o aluno nas práticas mediúnicas.

No 3.º ano, denominado 3.º do Curso de Educação Mediúnica, o objetivo é discutir temas extraídos do livro Os Mecanismos da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz e, ao mesmo tempo, intensificar os exercícios práticos mediúnicos.  

No 4.º ano, denominado 4.º do Curso de Educação Mediúnica, O objetivo é dar um direcionamento à relação ensino-aprendizagem, baseando-se em: 1) discutir algumas das várias atividades que o aluno poderia desenvolver na Casa Espírita; 2) propor ao educando um aprofundamento em cada um dos três aspectos da Doutrina Espírita; 3) dar continuidade aos exercícios práticos mediúnicos, iniciados nos anos anteriores.

Para mais informações, acesse:

Apostila do Curso de Educação Mediúnica (1.º ao 4.º ano) em pdf

https://www.ceismael.com.br/download/apostilas-dos-cursos.htm

Em forma de livro digital — Kobo. (Pesquisar por Sérgio Biagi Gregório)








Desenvolvimento Mediúnico Prático


O termo desenvolvimento mediúnico é utilizado como sinônimo de exercício prático mediúnico. No entanto, o desenvolvimento mediúnico propriamente dito é muito mais amplo, pois desenvolver a mediunidade é aprimorar-se, evangelizar-se, progredir moral e intelectualmente para aumentar as condições psíquicas e espirituais, no sentido de entrar em contato com Espíritos mais evoluídos. Pietro Ubaldi, por exemplo, costumava definir o processo mediúnico como um esforço para ir ao encontro desses Espíritos mais evoluídos. Desaconselhava, assim, a simples apassivação.

Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, mostra-nos que há dois tipos de mediunidade, a natural e a de tarefa. A mediunidade natural é a de todo o vivente, pois todos os seres humanos são passíveis de receber a influência dos Espíritos. Embora todos possam receber a influência, somente alguns, os médiuns tarefeiros, são encaminhados para os treinamentos mediúnicos. Esses exercícios servem para que o médium tome consciência da sua capacidade mediúnica. Os instrutores podem, através desses exercícios, melhor encaminhá-lo para os trabalhos práticos no Centro Espírita.

Os exercícios práticos requerem certa dose de atenção e concentração. A concentração é a capacidade de dirigir a atenção para um único objeto. A atenção pode ser solicitada passivamente por um estímulo externo, mas a concentração é sempre ativa. Emana do sujeito, que escolhe voluntariamente o objeto da sua atenção para nele concentrar-se. Somente quando o médium se concentrar no próprio exercício, isolando os barulhos externos, terá mais condições de se comunicar com os Espíritos desencarnados.

Edgar Armond, no livro Desenvolvimento Mediúnico Prático, auxilia-nos com a sigla PACEM: Percepção, Aproximação, Contato, Envolvimento e Manifestação.

1) percepção dos fluidos — identificação da natureza da entidade espiritual;

2) aproximação — percepção da presença da entidade espiritual;

3) contato — identificação dos centros de força e das partes do organismo que estão sendo atuadas pela entidade comunicante;

4) envolvimento — recepção da mensagem espiritual que está sendo transmitida ao médium;

5) manifestação — a comunicação propriamente dita do Espírito, através do médium.

Para obter êxito no desenvolvimento mediúnico prático, o médium deve apassivar-se. Nesse caso, o relaxamento, a respiração profunda, os pensamentos sadios e alimentação controlada são de grande utilidade. Além disso, deve aguçar o interesse e o entusiasmo, fortalecendo a vontade. O estudo da Doutrina Espírita, a utilização da prece e a disposição de nunca estar ocioso aumentam sobremaneira esse poder de concentração.

Tenhamos em mente o caráter "sagrado" do nosso contato com os Espíritos desencarnados. Utilizemos esse relacionamento somente para o bem e para as reais necessidades do nosso Espírito.

Caso queira se informar a respeito de alguns exercícios, acesse

https://www.ceismael.com.br/download/apostila/exercicio-pratico-mediunico.pdf 


Consolador Prometido

 


Consolar — do lat. consolare — significa aliviar ou suavizar a aflição, o sofrimento, o padecimento; dar lenitivo a, mitigar, confortar. Prometer — Do lat. promittere, "atirar longe", obrigar-se verbalmente ou por escrito a (fazer ou dar alguma coisa); comprometer-se a; pressagiar, anunciar, dar esperança.

"Se vós me amais, guardai meus mandamentos; e eu pedirei a meu Pai, e ele vos enviará um outro Consolador, a fim de que permaneça eternamente convosco: o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê e não o conhece. Mas quanto a vós, vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós. Mas o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo aquilo que eu vos tenho dito". (São João, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26).

Jesus, personificador da segunda revelação divina, abriu caminho para o advento do Espiritismo. O início do cristianismo, ou seja, a propagação dos ensinos de Cristo, foi caracterizado pelo clima de opressão em que viviam os judeus. Todos estavam esperando o Salvador. Este chega numa manjedoura e educa-se junto à carpintaria. Jesus falava por parábolas, isto é, colocava um véu sobre certos aspectos da vida espiritual. Contudo, prometeu o "Consolador".

Espiritismo vem, no tempo marcado, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito de Verdade preside a sua instituição, chama os homens à observância da lei e ensina todas as coisas em fazendo compreender o que foi dito por Cristo através das parábolas. O Espiritismo vem abrir os nossos olhos e ouvidos, porque fala sem figuras e sem alegorias; ele ergue o véu deixado propositadamente sobre certos mistérios. Vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos que sofrem, dando uma causa justa e um fim útil a todas as dores.

O Consolador veio para consolar. Nesse sentido, os espíritas devem preparar-se para serem os fiéis intérpretes dos Benfeitores Espirituais. Renunciar ao ponto de vista pessoal e eliminar preconceitos auxiliam sobremaneira. Ainda: o espírita deve estar sempre estudando o conteúdo doutrinário, a fim de que possa penetrar nos meandros da alma alheia e fornecer-lhe o alimento espiritual de que necessita.

Sejamos o sal da terra. Que a nossa palavra possa sempre ser um refrigério para as almas que nos procuram.

Para mais informações, acesse:

https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/consolador-prometido

A Caridade da Divulgação da Verdade: A Missão do Brasil


O Espírito Juscelino Kubitschek, pela psicografia de Luiz Guilherme Marques, no livro A Caridade da Divulgação da Verdade: A Missão do Brasil, desenvolve algumas ideias sobre a missão do Brasil como sendo o Coração do Mundo e a Pátria do Evangelho, lembrando que, embora tenha essa missão, esta poderá lhe ser retirada, caso o país — como coletividade — não atender aos propósitos dos mentores espirituais. 

Começa por enaltecer as virtudes do povo brasileiro, quais sejam: humildade, simplicidade e desapego. Acha que o povo brasileiro não quer ser mais do que os outros povos, considerando todas as raças e países como irmãos: os emigrantes são sempre recebidos com cordialidade e benevolência. Observe que até os notáveis do Brasil encontram pouca repercussão de destaque mundial. Cita que Rui Barbosa, um dos mais importantes juristas de todos os tempos, caiu quase no esquecimento depois do brilho meteórico de Haia.

Conta-nos que os Estados Unidos receberam de Jesus a missão de serem o cérebro do mundo, enquanto o Brasil o coração; contudo, nem um nem outro prescinde tanto do cérebro quanto do coração. No caso do Brasil, há o propósito de testemunhar a vida após a morte e a exemplificação da mediunidade, predominantemente gratuita, tal como “o dar de graça o que de graça recebeu”, em comparação com outros países, cujos médiuns se tornam milionários.

No capítulo terceiro, que trata das virtudes a serem aprimoradas no Brasil, lembra dos seguintes itens: 1) Respeito ao Direito; 2) Amor à Ciência; 3) Amor à Filosofia; 4) Amor à Arte Erudita; 5) Amor ao Trabalho; 6) Amor à Educação; 7) Amor à História; 8) Amor à Cultura; 9) Respeito ao Dever; 10) Respeito à Disciplina; 11) Respeito à Honra; 12) Respeito aos Anciãos; 13) Respeito às Tradições Milenares.

Eis algumas pensamentos extraídos desse capítulo: 

O sonho da riqueza sem trabalho povoa a mente de muitos, que, somados, formam milhões de revoltados com a contingência de produzir e contribuir, preferindo a ociosidade ou os ganhos sem esforço, quando não flagrantemente ilícitos.

Adolescentes passam horas ociosamente, quando poderiam ser incentivados ao estudo da Ciência, como acontece em outros países, onde a Educação é a prioridade não só dos governos mas também dos genitores

Filosofar para que, se não dá dinheiro?: essa é a ideologia praticada pelo nosso povo, que, com isso, se desmerece frente a estrangeiros dados à reflexão, como os amarelos, os indígenas conscientes da sua cultura e os indianos.

A cultura do trabalho, infelizmente, não é ensinada nas escolas e mesmo muitos genitores induzem seus filhos à ociosidade, ao consumismo e ao desrespeito a quem trabalha.

As escolas não educam, mas simplesmente instruem, sendo, talvez, a única Pedagogia realmente educadora aquela instituída por Sathya Sai Baba, que se constitui em todos os alunos aprenderem a prestação de serviços à comunidade onde vivem: essa, sim, é a Educação, pois que treina os seres humanos, desde a infância a servir aos semelhantes.

Na Índia, por exemplo, não há tantos crimes quanto aqui, porque cada indivíduo está vivendo em função dos seus deveres, ao contrário da nossa realidade, onde muitos vivem do tráfico de drogas, outros da ociosidade remunerada ou não e quantos odeiam o trabalho, como se fosse uma condenação e não uma bênção.

Devemos aprender a disciplina, como indivíduos e como povo, sem necessidade de coerção eterna, mas por imposição da própria vontade individual, cada qual organizando-se em função do compromisso com sua própria ordem interna de cumprir suas metas morais, de trabalho, de estudo e tudo que signifique mudança para atingir o ideal de cidadãos, homens e mulheres de bem.

Frases Extraídas do Livro "Horizontes da Mente"

 


O Espírito Miramez, em Horizontes da Mente, pela psicografia de João Nunes Maia, em seus 80 capítulos, discute os vários aspectos relacionados com a mente. Entre eles, citamos: poder da mente, emissão de pensamentos, dinamismo mental, pureza mental, limpeza da mente, magnetismo, olhos do iniciado, criação mental, mantras, poluição mental, poder da palavra, mente humana e mente divina.

Eis algumas frases coletadas:

"A mente é como o chuveiro da alma. Aquilo em que pensais firmemente cairá sobre vós mesmos, de modo a vos libertar ou a vos encarcerar, dependendo do teor dos sentimentos que impulsionam as ideias".

"Se porventura estais cansados e oprimidos, pensai no amor, começai com alegria a pensar nele, a vivê-lo na sua mais pura radiação, que notareis logo uma diferença no vosso estado psicológico".

"A inteligência é a faculdade de executar as ordens do raciocínio e, quando iluminada pelo amor, obedece à vigilância do coração".

"O desenho de sinais na mente é o princípio da comunicação entre as criaturas, e a formação dos pensamentos é uma arte divina, onde o espírito, como co-criador, tem sua maior parte".

"Se desejamos nos confundir com os benfeitores de alta hierarquia espiritual, é preciso que a educação da mente seja o primeiro passo".

"A harmonização da mente não se dá sem a cooperação dos nossos semelhantes, principalmente daqueles que não simpatizam conosco".

"Mesmo que queiramos, nunca conseguiremos parar de pensar, pois a mente é um dínamo sagrado ligado à suprema inteligência universal, pela qual flui, ininterruptamente, a vontade de Deus".

"Os bons costumes tornam a mente límpida e clareiam o verbo, enriquecendo-o, para que os ouvintes sejam estimulados ao exercício do bem eterno".

"Higienizemos a nossa mente, sem afrontá-la agressivamente".

"A mente é uma fornalha de temperaturas variáveis, de conformidade com a evolução da alma, onde se purificam todos os sentimentos provindos dos mais secretos escaninhos do espírito".

"O aprazimento puro do espírito depende da sua conexão com as normas do Criador, pois não existe alegria verdadeira sem paz na consciência".

"A mente dinâmica nos serviços da benevolência e do perdão prorrompe em nuances incalculáveis, na fraternidade imponderável".

"A mente é como um aditamento espiritual para a alma, uma escola de relevância transcendental na Terra, alojando qualidade e manifestando dons, diante de quantas colisões forem necessárias".

"O Evangelho representa a herança de todos os estudantes da verdade".

"Caso nos silenciemos, o mal se propaga, criando sérios embaraços por onde transita, e somos responsáveis por todos os estragos feitos em mentes invigilantes".

"O rosto expressa, de certo modo, o caráter da alma, assim as mãos, assim as palavras, confirmando a proposição da psicologia bem endereçada".

"Quando conseguirmos um campo mental sem mácula, através do tempo, configurado com o esforço próprio e coletivo, estaremos dando os primeiros passos nos céus do Cristo".

"Se Mesmer familiarizou o magnetismo animal entre as criaturas, devemos a Allan Kardec a conscientização, sem rodeios, do magnetismo espiritual".

"Meus filhos, façamos o bem, onde estivermos e da maneira que as nossas forças suportarem, pois é pela prática que o esmero se apresenta, e a natureza divina se ambienta na natureza humana. Começai pensando no bem, falando no bem, ou escrevendo sobre o bem, que ele, com o tempo, vos acompanhará para sempre".

"Eis porque tornamos a falar em "por que o perdão". Quem pratica a indulgência é o primeiro a ser beneficiado".

"O irmão de luta, que caminha conosco, enxerga melhor os nossos defeitos, sente os prejuízos causados por eles e nos aconselha de forma violenta".

"Os justos não enganam os outros nem condenam seus semelhantes, por já se encontrarem livres das armadilhas da intolerância e serem amantes da justiça e do perdão".

"Jesus foi o próximo mais iluminado que se aproximou de nós, fazendo presentes todos os raios de sol para nos aquecer".

"A mente é um dínamo que, de certo modo, não nos pertence. Contudo, o seu bom funcionamento requer a nossa participação ativa e constante. O que não nos pertence é a sua existência e a sua mecânica".

"As formas mentais têm uma força coesiva sem precedentes, maior que a liga de todas as colas e o traço de todos os cimentes".

"Todos nós, que viajamos na Terra, pertencemos à escola do Cristo, que objetiva, em. todos os seus programas, a educação da mente".

"A vigilância é sempre a eterna âncora da alma, apoiada no fundo do mar tempestuoso da mente, a nos garantir a tranquilidade, disciplinando uma profusão de pensamentos diários, de maneira a serem úteis no seu campo de ação".

"Meus filhos, se começais hoje na educação da mente, tereis certeza da reversão da própria natureza inferior".

"Os pensamentos antecedem as palavras e estas são dirigidas por eles".

"Todo o Evangelho do Cristo são mantras divinos, preparados por Jesus, para a felicidade dos homens".

"O uso dos mantras é uma ciência, e toda ciência bem aplicada tem seus métodos".

"A formação dos nossos pensamentos é que determina a nossa conduta".

"A ação dá continuidade aos pensamentos. Mas são os pensamentos que geram as ações".


Jesus e o Jugo Romano



O ambiente em que Jesus viveu foi marcado pelo domínio romano sobre a Palestina. Esse jugo político e econômico pesava duramente sobre a Palestina [Judeia, Galileia, Samaria etc.] muito mais do que em relação a outros povos. Os judeus viam na ocupação estrangeira não apenas uma opressão material, mas também um dano espiritual, já que a nação escolhida por Deus estava submetida a um império pagão.

O jugo romano na Palestina incluía: a) Tributos expressivos:  a carga tributária era considerada pesada e injusta; b) Conquista: em 63 a.C., a região da Judeia foi incorporada ao Império Romano; c) Administração: Roma mantinha governadores, soldados, e cobradores de impostos (publicanos); c) Tensões religiosas e políticas: Para os judeus, o domínio romano era um sinal de opressão e até humilhação, já que sua esperança messiânica era a restauração do Reino de Israel.

Nesse cenário, surgiram diferentes posturas: os zelotes defendiam a resistência armada, os fariseus buscavam preservar a identidade religiosa, os saduceus preferiam a conciliação com Roma e os essênios retiravam-se da vida pública. Cada grupo expressava, à sua maneira, uma tentativa de responder à tensão entre a fé judaica e o poder imperial.

Jesus, em vez de se alinhar às correntes que pregavam a violência ou a submissão, elaborou uma dimensão mais profunda da liberdade. Na frase lapidar “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, revelou não apenas prudência política, mas sobretudo a distinção entre a autoridade temporal e a soberania divina. Para Jesus, a verdadeira libertação não consistia em expulsar os romanos, mas em transformar o coração humano e instaurar o Reino de Deus, um reino de justiça, paz e amor que ultrapassa qualquer fronteira política.

Jesus não ignorou o jugo romano. Inspirou-se na revolução espiritual que desarmava o ódio e denunciava a idolatria do poder. Essa postura, ao mesmo tempo submissa e libertadora, demonstrou que a liberdade plena não depende de circunstâncias externas, mas de uma fidelidade incondicional a Deus. Por isso, a mensagem de Jesus permanece atual, recordando que nenhuma opressão política pode sufocar a dignidade e a esperança daqueles que se abrem ao Reino.

 

Sacrifício e Espiritismo

 


Sacrifício – Do latim sacrificium significa o que está relacionado ao ato de fazer com que alguma coisa se torne sagrada. Sacrificar é converter em sagrado o objeto que será dado em oferta. É o ato principal de todo culto religioso; é a oferta feita à divindade em certas cerimônias solenes. Sacrificar-se é crescer; quem cede para os outros adquire para si mesmo.

Na Antiguidade, os sacrifícios de animais, crianças, virgens e prisioneiros de guerra eram corriqueiros. No Antigo Testamento, os sacrifícios eram considerados dons sagrados. Abraão, por exemplo, por ordem de Deus, quis imolar o seu filho Isaac em holocausto e que depois foi substituído por um carneiro. No Novo Testamento, a instituição antiga dos sacrifícios cede lugar ao sacrifício pela Cruz do Cristo. Numa acepção mais contemporânea, há o holocausto alemão praticado ao povo judeu.

A morte de Jesus na Cruz representa o móvel da redenção da Humanidade. O símbolo da cruz, em que juntam o céu e a terra, foi enriquecido prodigiosamente pela tradição cristã, condensando nessa imagem a história da salvação e a paixão do Salvador. A cruz simboliza o Crucificado, o Cristo, o Salvador, o Verbo, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Ela é mais do que uma figura de Jesus, ela se identifica com sua história humana, com a sua pessoa. Enquanto no passado havia o “olho por olho e dente por dente”, Jesus ensinou-nos a oferecer a outra face, quando numa delas alguém nos batesse. Enquanto no passado ofereciam-se animais, crianças, alimentos, Jesus oferece-nos um único mandamento: cada qual deve carregar a sua cruz.

Filosoficamente, a coragem para o sacrifício fundamenta-se no deixar o conhecido, o lugar conquistado, a comodidade do pensamento vulgar para se aventurar na busca de novos ensinamentos, novas experiências e novos rumos na vida. “A coragem para o sacrifício está em acreditar poder de novo outra vez. Poder sempre inaugurar um novo sentido, ou mesmo repetir o feito e de novo realizar. É dispor-se à vida que se vive e se realiza vivendo, e compreender que nesse jogo de viver e realizar jogar o incerto e o inesperado, e que assim devem ser acolhidos”. (Pizzolante, 2008, p. 188)

Cumpre observar que o sacrifício não é auto-imposição, mas uma disposição para a abnegação, que é o afastar-se da arrogância do ficar no já conquistado. O sacrifício assemelha-se à dor do parto, pois a mãe sofre, mas em seguida vê o rebento vir à luz, que lhe dá grande alegria. Em nosso caso, o parto refere-se à ideia nova, tal qual Sócrates fazia na Antiguidade, quando ensinava na praça pública. Sadi, por outro lado, dizia-nos: “A paciência é uma planta de raízes assaz amargas, mas de frutos dulcíssimos”.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan kardec ensina-nos que o sacrifício mais agradável a Deus é o do Ressentimento. Ele expressa o pensamento da seguinte forma: “Antes de se apresentar a ele para ser perdoado, é preciso ter perdoado, e que, se cometeu injustiça contra um dos seus irmãos, é preciso tê-la reparado; só então a oferenda será agradável, porque virá de um coração puro de todo o mau pensamento” (1984, cap. X, p.134.) Em outras palavras, antes de entrarmos no templo do Senhor devemos purificar o nosso coração, porque assim teremos mais condições de entrar em perfeita conexão com os Espíritos superiores e deles receber inspirações para as nossas boas ações.

O trabalhador da seara mediúnica não raro registrará as seguintes questões: por que o meu caminho é de sofrimento? Por que a minha vida está repleta de dor? Onde estão os benfeitores espirituais? Por que eles não vêm aliviar as minhas amarguras? Lembremo-nos de que Jesus ensinou que a cruz é o símbolo da redenção do cristão. Os mensageiros de luz vêm apenas estimular as nossas ações dizendo que deveríamos pegar a nossa cruz e caminhar com ela, tanto quanto forem os passos que a divindade nos impuser. E por maior sejam os sacrifícios que teremos de suportar, não cortemos uma pedaço dela, porque poderá fazer falta quando tivermos que usá-la como ponte para atravessar o rio.

O sacrifício mais agradável a Deus é aquele em que o individuo se coloca abertamente para aceitar, sem desânimo e sem reclamações, a determinação dos Espíritos de luz acerca de sua missão na terra.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro: FEB, 1995.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

PIZZOLANTE, Romulo. A Filosofia e a Coragem para o Sacrifício. In: MEES, L. e PIZZOLANTE, R. (org.). O Presente do Filósofo: Homenagem a Gilvan Fogel. Rio de Janeiro: Mauad X, 2008

 

Pesquisa

Visualizações (últimos 30 dias)

Siga-nos