Ideias Inatas

 


Ideias Inatas  Segundo a filosofia, são as ideias com as quais a gente nasce, que não se aprende. Para o Espiritismo, são o resultado dos conhecimentos adquiridos nas existências anteriores; são ideias que se conservam no estado de intuição para servirem de base à apreciação de outras novas. As ideias inatas não são mais do que a herança intelectual e moral que vêm das nossas vidas passadas.

Para os idealistas, o Espírito, o pensamento, a ideia é o fenômeno principal; a matéria, um epifenômeno. Para os empiristas, matéria é o fenômeno principal; o espírito, um epifenômeno. Esta divergência entre idealistas e materialistas ainda não chegou a um acordo satisfatório. Falta-lhes um elemento conciliador — o PERISPÍRITO —, que é o elo entre o Espírito e o corpo físico. Se dedicassem mais tempo à compreensão desse corpo energético, melhor compreenderiam a relação entre o sensível e o não sensível.

Platão foi o primeiro pensador a nos fornecer uma imagem das ideias inatas. Para ele, o homem deve passar além dos sentidos, ou seja, para as ideias que não se derivam da experiência, nem dela dependem. Em Kant, as ideias da razão pura são objetos de pensamento para os quais não podemos encontrar qualquer correspondência na nossa experiência; são as ideias da alma, do mundo e de Deus. Em Hegel, a Ideia é o princípio universal do devir, que engendra a Natureza e se torna Espírito. Para Descartes e os cartesianos, as ideias inatas são as que pertencem ao espírito do homem desde o nascimento e só dependem de sua própria natureza: extensão, substância, Deus...

Há relatos de crianças em que o quociente de inteligência é bastante alto. Algumas falam de assuntos que extrapolam as suas idades físicas; outras tocam maravilhosamente bem um instrumento musical; outras ainda possuem uma capacidade de memorização de estarrecer. A que se deve isso? Se elas não tiveram tempo de aprender, de onde tiraram esse saber? Conclusão: esses fatos só podem ser explicados pelo princípio da reencarnação, princípio este que mostra que todos já tivemos outras vidas antes desta. Através delas é que fomos adicionando informações e conhecimentos ao nosso passivo espiritual.

Na resposta à pergunta 218 A (A teoria das ideias inatas não é quimérica?) de O Livro dos Espíritos, os Espíritos superiores nos orientam que "Os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem; o Espírito liberto da matéria, sempre se recorda. Durante a encarnação, pode esquecê-los em parte, momentaneamente, mas a intuição que lhe fica ajuda o seu adiantamento. Sem isso, ele sempre teria de recomeçar. A cada nova existência, o Espírito toma como ponto de partida aquele em que se achava na precedente".

O Espiritismo, como Doutrina codificada por Allan Kardec, trouxe-nos uma nova visão sobre o estoque de conhecimento existente. Cabe-nos debruçar sobre os seus princípios fundamentais, extraindo deles as instruções necessárias para o correto direcionamento do nosso Espírito rumo às ideias supremas do bem e do belo.

 

Parábola dos Talentos

 



Introdução

Neste estudo, propõe-se refletir sobre algumas questões fundamentais: O que se entende por parábola? Como está estruturada a Parábola dos Talentos? O que significa talento? E qual é o seu sentido metafórico?


O Conceito de Parábola

A palavra “parábola” deriva do grego parabolé, significando narrativa curta, muitas vezes identificada com o apólogo ou a fábula. Trata-se de uma forma de metáfora, isto é, um argumento que estabelece uma comparação ou paralelo para transmitir ensinamentos.

Na Antiguidade, a parábola era amplamente utilizada como instrumento de transmissão de conhecimentos, especialmente entre iniciados. De forma sintética, pode-se defini-la como uma narração alegórica na qual o conjunto dos elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior.


O Conceito de Talento

No sentido comum, talento refere-se ao grau de aptidão de uma pessoa, à capacidade de adquirir conhecimentos com facilidade em determinados setores — característica associada ao gênio, à virtuosidade, à compreensão, ao conhecimento e à responsabilidade.

Historicamente, talento era também uma unidade de peso e moeda na antiga Grécia e Roma. Na Grécia, equivalia a 60 minas, sendo cada mina composta por 100 dracmas, totalizando 6.000 dracmas.

No sentido metafísico, segundo Kant, talento é “uma superioridade da faculdade conhecedora que não provém do ensino, mas da aptidão natural do sujeito”.


Parábola: Imagem e Doutrina

As parábolas utilizam imagens extraídas das tarefas cotidianas e das ocupações mais humildes: operários da vinha, sementes que crescem, redes lançadas ao mar, a dracma procurada, crianças que brincam, imprudentes que dormem.

Por meio dessas imagens simples, Jesus ensinava verdades profundas sobre o Reino de Deus. A parábola apresenta um dinamismo próprio, muitas vezes estruturado em paradoxos, conduzindo a uma página doutrinária de elevado conteúdo espiritual.


Por que Jesus Falava por Parábolas?

Jesus utilizava parábolas para:

  1. Despertar a curiosidade dos ouvintes e estimular o desejo de explicações mais profundas, que os discípulos e os bem-intencionados buscavam.
  2. Revelar os mistérios do Reino dos Céus apenas àqueles preparados para compreendê-los. “Vendo, não veem; ouvindo, não ouvem nem compreendem.”
  3. Falar de modo esotérico (mais obscuro) sobre aspectos abstratos da doutrina, mas de forma clara (exotérica) quando tratava da caridade. Aos apóstolos, explicava mais abertamente — embora nem a eles tenha revelado tudo.
  4. Demonstrar que a verdade não é simples tarefa construtiva, mas conquista evolutiva.

Esquema da Parábola dos Talentos

A parábola retrata um homem que, ao ausentar-se, distribui seus bens entre seus servos em diferentes quantidades: cinco, dois e um talento.

Alguns multiplicam o que receberam; outro conserva intacto o talento recebido, sem fazê-lo frutificar.


Interpretação Espírita (Irmão X)

Na interpretação atribuída ao Espírito Irmão X, a parábola refere-se à responsabilidade de multiplicar os bens recebidos.

Esses “bens” podem representar dinheiro, poder, conforto, habilidade, prestígio, inteligência e autoridade. Quando bem aplicados, transformam-se em trabalho, progresso, amizade, esperança, gratidão, cultura, experiência e conhecimento espírita.

Se o Criador nos concede a luz do Conhecimento Espírita, não devemos ocultá-la por medo de represálias ou dissabores. Ao difundir a luz da verdade, contribuímos para iluminar aqueles que detêm poder, dinheiro e inteligência, ajudando a construir um mundo mais justo e fraterno.


Considerações Metafóricas

Metaforicamente, a Parábola dos Talentos ensina sobre a responsabilidade individual na multiplicação das oportunidades, capacidades e recursos que recebemos.

Não devemos manter nossos talentos intactos por medo ou comodismo. Somos chamados a desenvolvê-los e colocá-los a serviço do próximo.


Conclusão

É necessário refletir sobre nossos talentos ocultos. Não esperemos que o Senhor venha cobrar-nos para somente então utilizá-los em benefício do próximo.


Fontes de Consulta

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.
XAVIER, Francisco Cândido. Estante da Vida, pelo Espírito Irmão X. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974.
Dicionários e Enciclopédias.

Transcrição da apresentação — em PowerPoint — de Sérgio Biagi Gregório, datada de 2003, feita pela Inteligência Artificial em fevereiro de 2026.




Desenvolvimento Mediúnico Prático


O termo desenvolvimento mediúnico é utilizado como sinônimo de exercício prático mediúnico. No entanto, o desenvolvimento mediúnico propriamente dito é muito mais amplo, pois desenvolver a mediunidade é aprimorar-se, evangelizar-se, progredir moral e intelectualmente para aumentar as condições psíquicas e espirituais, no sentido de entrar em contato com Espíritos mais evoluídos. Pietro Ubaldi, por exemplo, costumava definir o processo mediúnico como um esforço para ir ao encontro desses Espíritos mais evoluídos. Desaconselhava, assim, a simples apassivação.

Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, mostra-nos que há dois tipos de mediunidade, a natural e a de tarefa. A mediunidade natural é a de todo o vivente, pois todos os seres humanos são passíveis de receber a influência dos Espíritos. Embora todos possam receber a influência, somente alguns, os médiuns tarefeiros, são encaminhados para os treinamentos mediúnicos. Esses exercícios servem para que o médium tome consciência da sua capacidade mediúnica. Os instrutores podem, através desses exercícios, melhor encaminhá-lo para os trabalhos práticos no Centro Espírita.

Os exercícios práticos requerem certa dose de atenção e concentração. A concentração é a capacidade de dirigir a atenção para um único objeto. A atenção pode ser solicitada passivamente por um estímulo externo, mas a concentração é sempre ativa. Emana do sujeito, que escolhe voluntariamente o objeto da sua atenção para nele concentrar-se. Somente quando o médium se concentrar no próprio exercício, isolando os barulhos externos, terá mais condições de se comunicar com os Espíritos desencarnados.

Edgar Armond, no livro Desenvolvimento Mediúnico Prático, auxilia-nos com a sigla PACEM: Percepção, Aproximação, Contato, Envolvimento e Manifestação.

1) percepção dos fluidos — identificação da natureza da entidade espiritual;

2) aproximação — percepção da presença da entidade espiritual;

3) contato — identificação dos centros de força e das partes do organismo que estão sendo atuadas pela entidade comunicante;

4) envolvimento — recepção da mensagem espiritual que está sendo transmitida ao médium;

5) manifestação — a comunicação propriamente dita do Espírito, através do médium.

Para obter êxito no desenvolvimento mediúnico prático, o médium deve apassivar-se. Nesse caso, o relaxamento, a respiração profunda, os pensamentos sadios e alimentação controlada são de grande utilidade. Além disso, deve aguçar o interesse e o entusiasmo, fortalecendo a vontade. O estudo da Doutrina Espírita, a utilização da prece e a disposição de nunca estar ocioso aumentam sobremaneira esse poder de concentração.

Tenhamos em mente o caráter "sagrado" do nosso contato com os Espíritos desencarnados. Utilizemos esse relacionamento somente para o bem e para as reais necessidades do nosso Espírito.

Caso queira se informar a respeito de alguns exercícios, acesse

https://www.ceismael.com.br/download/apostila/exercicio-pratico-mediunico.pdf 


Consolador Prometido

 


Consolar — do lat. consolare — significa aliviar ou suavizar a aflição, o sofrimento, o padecimento; dar lenitivo a, mitigar, confortar. Prometer — Do lat. promittere, "atirar longe", obrigar-se verbalmente ou por escrito a (fazer ou dar alguma coisa); comprometer-se a; pressagiar, anunciar, dar esperança.

"Se vós me amais, guardai meus mandamentos; e eu pedirei a meu Pai, e ele vos enviará um outro Consolador, a fim de que permaneça eternamente convosco: o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê e não o conhece. Mas quanto a vós, vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós. Mas o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo aquilo que eu vos tenho dito". (São João, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26).

Jesus, personificador da segunda revelação divina, abriu caminho para o advento do Espiritismo. O início do cristianismo, ou seja, a propagação dos ensinos de Cristo, foi caracterizado pelo clima de opressão em que viviam os judeus. Todos estavam esperando o Salvador. Este chega numa manjedoura e educa-se junto à carpintaria. Jesus falava por parábolas, isto é, colocava um véu sobre certos aspectos da vida espiritual. Contudo, prometeu o "Consolador".

Espiritismo vem, no tempo marcado, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito de Verdade preside a sua instituição, chama os homens à observância da lei e ensina todas as coisas em fazendo compreender o que foi dito por Cristo através das parábolas. O Espiritismo vem abrir os nossos olhos e ouvidos, porque fala sem figuras e sem alegorias; ele ergue o véu deixado propositadamente sobre certos mistérios. Vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos que sofrem, dando uma causa justa e um fim útil a todas as dores.

O Consolador veio para consolar. Nesse sentido, os espíritas devem preparar-se para serem os fiéis intérpretes dos Benfeitores Espirituais. Renunciar ao ponto de vista pessoal e eliminar preconceitos auxiliam sobremaneira. Ainda: o espírita deve estar sempre estudando o conteúdo doutrinário, a fim de que possa penetrar nos meandros da alma alheia e fornecer-lhe o alimento espiritual de que necessita.

Sejamos o sal da terra. Que a nossa palavra possa sempre ser um refrigério para as almas que nos procuram.

Para mais informações, acesse:

https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/consolador-prometido

Jesus e o Jugo Romano



O ambiente em que Jesus viveu foi marcado pelo domínio romano sobre a Palestina. Esse jugo político e econômico pesava duramente sobre a Palestina [Judeia, Galileia, Samaria etc.] muito mais do que em relação a outros povos. Os judeus viam na ocupação estrangeira não apenas uma opressão material, mas também um dano espiritual, já que a nação escolhida por Deus estava submetida a um império pagão.

O jugo romano na Palestina incluía: a) Tributos expressivos:  a carga tributária era considerada pesada e injusta; b) Conquista: em 63 a.C., a região da Judeia foi incorporada ao Império Romano; c) Administração: Roma mantinha governadores, soldados, e cobradores de impostos (publicanos); c) Tensões religiosas e políticas: Para os judeus, o domínio romano era um sinal de opressão e até humilhação, já que sua esperança messiânica era a restauração do Reino de Israel.

Nesse cenário, surgiram diferentes posturas: os zelotes defendiam a resistência armada, os fariseus buscavam preservar a identidade religiosa, os saduceus preferiam a conciliação com Roma e os essênios retiravam-se da vida pública. Cada grupo expressava, à sua maneira, uma tentativa de responder à tensão entre a fé judaica e o poder imperial.

Jesus, em vez de se alinhar às correntes que pregavam a violência ou a submissão, elaborou uma dimensão mais profunda da liberdade. Na frase lapidar “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, revelou não apenas prudência política, mas sobretudo a distinção entre a autoridade temporal e a soberania divina. Para Jesus, a verdadeira libertação não consistia em expulsar os romanos, mas em transformar o coração humano e instaurar o Reino de Deus, um reino de justiça, paz e amor que ultrapassa qualquer fronteira política.

Jesus não ignorou o jugo romano. Inspirou-se na revolução espiritual que desarmava o ódio e denunciava a idolatria do poder. Essa postura, ao mesmo tempo submissa e libertadora, demonstrou que a liberdade plena não depende de circunstâncias externas, mas de uma fidelidade incondicional a Deus. Por isso, a mensagem de Jesus permanece atual, recordando que nenhuma opressão política pode sufocar a dignidade e a esperança daqueles que se abrem ao Reino.

 

Sacrifício e Espiritismo

 


Sacrifício – Do latim sacrificium significa o que está relacionado ao ato de fazer com que alguma coisa se torne sagrada. Sacrificar é converter em sagrado o objeto que será dado em oferta. É o ato principal de todo culto religioso; é a oferta feita à divindade em certas cerimônias solenes. Sacrificar-se é crescer; quem cede para os outros adquire para si mesmo.

Na Antiguidade, os sacrifícios de animais, crianças, virgens e prisioneiros de guerra eram corriqueiros. No Antigo Testamento, os sacrifícios eram considerados dons sagrados. Abraão, por exemplo, por ordem de Deus, quis imolar o seu filho Isaac em holocausto e que depois foi substituído por um carneiro. No Novo Testamento, a instituição antiga dos sacrifícios cede lugar ao sacrifício pela Cruz do Cristo. Numa acepção mais contemporânea, há o holocausto alemão praticado ao povo judeu.

A morte de Jesus na Cruz representa o móvel da redenção da Humanidade. O símbolo da cruz, em que juntam o céu e a terra, foi enriquecido prodigiosamente pela tradição cristã, condensando nessa imagem a história da salvação e a paixão do Salvador. A cruz simboliza o Crucificado, o Cristo, o Salvador, o Verbo, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Ela é mais do que uma figura de Jesus, ela se identifica com sua história humana, com a sua pessoa. Enquanto no passado havia o “olho por olho e dente por dente”, Jesus ensinou-nos a oferecer a outra face, quando numa delas alguém nos batesse. Enquanto no passado ofereciam-se animais, crianças, alimentos, Jesus oferece-nos um único mandamento: cada qual deve carregar a sua cruz.

Filosoficamente, a coragem para o sacrifício fundamenta-se no deixar o conhecido, o lugar conquistado, a comodidade do pensamento vulgar para se aventurar na busca de novos ensinamentos, novas experiências e novos rumos na vida. “A coragem para o sacrifício está em acreditar poder de novo outra vez. Poder sempre inaugurar um novo sentido, ou mesmo repetir o feito e de novo realizar. É dispor-se à vida que se vive e se realiza vivendo, e compreender que nesse jogo de viver e realizar jogar o incerto e o inesperado, e que assim devem ser acolhidos”. (Pizzolante, 2008, p. 188)

Cumpre observar que o sacrifício não é auto-imposição, mas uma disposição para a abnegação, que é o afastar-se da arrogância do ficar no já conquistado. O sacrifício assemelha-se à dor do parto, pois a mãe sofre, mas em seguida vê o rebento vir à luz, que lhe dá grande alegria. Em nosso caso, o parto refere-se à ideia nova, tal qual Sócrates fazia na Antiguidade, quando ensinava na praça pública. Sadi, por outro lado, dizia-nos: “A paciência é uma planta de raízes assaz amargas, mas de frutos dulcíssimos”.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan kardec ensina-nos que o sacrifício mais agradável a Deus é o do Ressentimento. Ele expressa o pensamento da seguinte forma: “Antes de se apresentar a ele para ser perdoado, é preciso ter perdoado, e que, se cometeu injustiça contra um dos seus irmãos, é preciso tê-la reparado; só então a oferenda será agradável, porque virá de um coração puro de todo o mau pensamento” (1984, cap. X, p.134.) Em outras palavras, antes de entrarmos no templo do Senhor devemos purificar o nosso coração, porque assim teremos mais condições de entrar em perfeita conexão com os Espíritos superiores e deles receber inspirações para as nossas boas ações.

O trabalhador da seara mediúnica não raro registrará as seguintes questões: por que o meu caminho é de sofrimento? Por que a minha vida está repleta de dor? Onde estão os benfeitores espirituais? Por que eles não vêm aliviar as minhas amarguras? Lembremo-nos de que Jesus ensinou que a cruz é o símbolo da redenção do cristão. Os mensageiros de luz vêm apenas estimular as nossas ações dizendo que deveríamos pegar a nossa cruz e caminhar com ela, tanto quanto forem os passos que a divindade nos impuser. E por maior sejam os sacrifícios que teremos de suportar, não cortemos uma pedaço dela, porque poderá fazer falta quando tivermos que usá-la como ponte para atravessar o rio.

O sacrifício mais agradável a Deus é aquele em que o individuo se coloca abertamente para aceitar, sem desânimo e sem reclamações, a determinação dos Espíritos de luz acerca de sua missão na terra.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro: FEB, 1995.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

PIZZOLANTE, Romulo. A Filosofia e a Coragem para o Sacrifício. In: MEES, L. e PIZZOLANTE, R. (org.). O Presente do Filósofo: Homenagem a Gilvan Fogel. Rio de Janeiro: Mauad X, 2008

 

Geração Nova

 


“A Geração Nova” é um subtítulo do capítulo XVIII – São Chegados os Tempos – do livro A Gênese, de Allan Kardec. Por geração nova, entende-se uma Humanidade mais evoluída do que a atual, uma Humanidade em que a inteligência e a razão caminham em perfeita harmonia com o sentimento inato do bem.

A regeneração da Humanidade faz parte da Lei do Progresso e está nos planos de Deus. Nosso próprio Planeta já passou por várias transformações físicas, desde a sua criação, há 5 bilhões de anos. É possível que, materialmente, ainda haja reparos a serem feitos, pois nenhuma revolução física se faz da noite para o dia. Contudo, os cataclismos previstos nos Evangelhos nada têm de material; eles são eminentemente morais.

O Espiritismo não é o promotor da regeneração, pois a mesma encontra-se nos desígnios de Deus. O Espiritismo nos dá informações, conhecimentos, subsídios para uma melhor compreensão do que está acontecendo e do que está por vir. A tese – os tempos são chegados – é motivo de diversas interpretações: para os incrédulos, nenhuma importância têm; para a maioria dos crentes, qualquer coisa de místico ou de sobrenatural, parecendo-lhes subversão das leis Naturais. O Espiritismo, ao contrário, vem nos dizer que esses acontecimentos estão de acordo com a Divina Providência.

As mortes coletivas, por exemplo, são um transtorno para a maioria da população. Para o Espiritismo, é fator de progresso. Allan Kardec diz-nos que, quando partem muitos de uma só vez, a possibilidade de eles anteverem o progresso é muito maior se eles fossem um a um, dois a dois, dez a dez. Se ficassem encarnados, demorariam muito para voltarem à prática do bem; as ideias retrógradas poderiam ir sedimentando mais e mais que de nada adiantaria viver mais anos neste Planeta. A melhor solução, não resta dúvida, é o desencarne coletivo.

O Planeta Terra está passando do Mundo de Expiação e Provas para o Mundo de Regeneração. No Mundo de Regeneração, o bem deve predominar sobre o mal. Por isso, para aqueles que ainda não se ajustaram à lei do amor, para aqueles que ainda se comprazem em fazer o mal pelo mal, haverá a emigração para outros orbes menos evoluídos. Os desencarnes coletivos fazem com que os Espíritos possam refletir mais objetivamente sobre a sua condição espiritual. Se, nessa passagem pelo mundo dos Espíritos, eles já conseguirem vislumbrar uma outra situação moral, poderão retornar a este Planeta, não precisando ir a mundos mais inferiores.

geração nova é um modelo de perfeição do Espírito. Ninguém pensará em prejudicar o seu próximo. A tônica será: "cada um suplante a si mesmo e não ao seu próximo".

 

Irmão X Entrevista Sócrates


O Espírito Humberto de Campos, mais conhecido como Irmão X, disse ter encontrado Sócrates no Instituto Celeste de Pitágoras — nome convencional para figurar os centros de grandes reuniões espirituais no plano Invisível. Nesse dia, a reunião era dedicada a todos os estudiosos vindos da Terra longínqua. Depois de ouvir os sábios ensinamentos do Mestre, atreveu-se a abordá-lo.

"— Mestre — disse eu —, venho recentemente da Terra distante, para onde encontro possibilidade de mandar o vosso pensamento. Desejaríeis enviar para o mundo as vossas mensagens benevolentes e sábias?

— Seria inútil — respondeu-me bondosamente —, os homens da Terra ainda não se reconheceram a si mesmos. Ainda são cidadãos da pátria, sem serem irmãos entre si. Marcham uns contra os outros, ao som de músicas guerreiras e sob a proteção de estandartes que os desunem, aniquilando-lhes os mais nobres sentimentos de humanidade.

— Mas... — retorqui — lá no mundo há uma elite de filósofos que se sentiriam orgulhosos de vos ouvir! ...

— Mesmo entre eles as nossas verdades não seriam reconhecidas. Quase todos estão com o pensamento cristalizado no ataúde das escolas. Para todos os espíritos, o progresso reside na experiência. A História não vos fala do suicídio orgulhoso de Empédocles de Agrigento, nas lavas do Etna, para proporcionar aos seus contemporâneos a falsa impressão de sua ascensão para os céus? Quase todos os estudiosos da Terra são assim; o mal de todos é o enfatuado convencimento de sabedoria. Nossas lições valem somente como roteiro de coragem para cada um, nos grandes momentos da experiência individual, quase sempre difícil e dolorosa.

Não crucificaram, por lá, o Filho de Deus, que lhes oferecia a própria vida para que conhecessem e praticassem a Verdade? O pórtico da pitonisa de Delfos está cheio de atualidade para o mundo. Nosso projeto de difundir a felicidade na Terra só terá realização quando os Espíritos aí encarnados deixarem de ser cidadãos para serem homens conscientes de si mesmos. Os Estados e as Leis são invenções puramente humanas, justificáveis, em virtude da heterogeneidade com respeito à posição evolutiva das criaturas; mas, enquanto existirem, sobrará a certeza de que o homem não se descobriu a si mesmo, para viver a existência espontânea e feliz, em comunhão com as disposições divinas da natureza espiritual. A Humanidade está muito longe de compreender essa fraternidade no campo sociológico.

Impressionado com essas respostas, continuei a interrogá-lo:

— Apesar dos milênios decorridos, tendes a exprimir alguma reflexão aos homens, quanto à reparação do erro que cometeram, condenando-vos à morte?

— De modo algum. Méletos e outros acusadores estavam no papel que lhes competia, e a ação que provocaram contra mim nos tribunais atenienses só podia valorizar os princípios da filosofia do bem e da liberdade que as vozes do Alto me inspiravam, para que eu fosse um dos colaboradores na obra de quantos precederam, no Planeta, o pensamento e o exemplo vivo de Jesus-Cristo. Se me condenaram à morte, os meus juízes estavam igualmente condenados pela Natureza; e, até hoje, enquanto a criatura humana não se descobrir a si mesma, os seus destinos e obras serão patrimônios da dor e da morte.

— Poderíeis dizer algo sobre a obra dos vossos discípulos?

— Perfeitamente — respondeu-me o sábio ilustre —, é de lamentar as observações mal-avisadas de Xenofonte, lamentando eu, igualmente, que Platão, não obstante a sua coragem e o seu heroísmo, não haja representado fielmente a minha palavra junto dos nossos contemporâneos e dos nossos pósteros. A História admirou na sua Apologia os discursos sábios e bem feitos, mas a minha palavra não entoaria ladainhas laudatórias aos políticos da época e nem se desviaria- para as afirmações dogmáticas no terreno metafísico. Vivi com a minha verdade para morrer com ela. Louvo, todavia, a Antístenes, que falou com mais imparcialidade a meu respeito, de minha personalidade que sempre se reconheceu insuficiente. Julgáveis então que me abalançasse, nos últimos instantes da vida, a recomendações no sentido de que se pagasse um galo a Esculápio? Semelhante expressão, a mim atribuída, constitui a mais incompreensível das ironias.

— Mestre, e o mundo? — indaguei.

— O mundo atual é a semente do mundo paradisíaco do futuro. Não tenhais pressa. Mergulhando-me no labirinto da História, parece-me que as lutas de Atenas e Esparta, as glórias do Pártenon, os esplendores do século de Péricles, são acontecimentos de há poucos dias; entretanto, soldados espartanos e atenienses, censores, juízes, tribunais, monumentos políticos da cidade que foi minha pátria, estão hoje reduzidos a um punhado de cinzas!... A nossa única realidade é a vida do Espírito.

— Não vos tentaria alguma missão de amor na face do orbe terrestre, dentro dos grandes objetivos da regeneração humana?

— Nossa tarefa, para que os homens se persuadam com respeito à verdade, deve ser toda indireta. O homem terá de realizar-se interiormente pelo trabalho perseverante, sem o que todo o esforço dos mestres não passará do terreno do puro verbalismo.

E, como se estivesse concentrado em si mesmo, o grande filósofo sentenciou:

— As criaturas humanas ainda não estão preparadas para o amor e para a liberdade... Durante muitos anos, ainda, todos os discípulos da Verdade terão de morrer muitas vezes!...

E enquanto o ilustre sábio ateniense se retirava do recinto, junto de Anaxágoras, dei por terminada a preciosa e rara entrevista".

Fonte de Consulta

XAVIER, F. C. Crônicas de Além-Túmulo, pelo Espírito Humberto de Campos. Rio de Janeiro: FEB, 1937. (Capítulo 25 — “Sócrates”)

 

Se Alguém te Ferir a Face Direita


O texto evangélico: Vós tendes ouvido o que se disse: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, digo-vos que não resistais ao mal; mas se alguém te ferir tua face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quer demandar-te em juízo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e se alguém te obrigar a ir carregado mil passos, vai com ele ainda mais outros dois mil. Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes. (Mateus, V: 38-42). (1)

Moisés, por volta de 1600 a.C., revelou aos homens a existência de um Deus único. Recebeu o Decálogo, ou dez mandamentos. Paralelamente, como disciplinador, coloca em prática a lei do olho por olho e dente por dente, de sua própria autoria. Dá a entender que o seu Deus é um Deus de temor, que cobra e castiga sem piedade.

A expressão "olho por olho, dente por dente" vem do Código de Hamurabi, uma das primeiras leis escritas da humanidade, e representa o princípio da retaliação proporcional ou Lei de Talião. A ideia é que a punição deve ser equivalente ao dano causado, evitando excessos e garantindo justiça.

Moisés trouxe a primeira revelação; Jesus, a segunda. A primeira revelação dá relevância ao olho por olho e dente por dente; a segunda fala do amor incondicional, estendendo-o até ao amor ao inimigo. E aqui, como comparação, podemos acrescentar que quando baterem em uma face, devemos mostrar a outra.

De acordo com Allan Kardec, em (1): "são os preconceitos do mundo que levam à suscetibilidade sombria, nascida do orgulho e do exagerado personalismo muito semelhante ao olho por olho da época de Moisés. Mas veio o Cristo e disse: "Não resistais ao que vos fizer mal; mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra"".

A explicação evangélica de oferecer a outra face resume-se: “que o homem deve aceitar com humildade tudo o que tende a reduzir-lhe o orgulho; que é mais glorioso para ele ser ferido que ferir; suportar pacientemente uma injustiça que cometê-la; que mais vale ser enganado que enganar, ser arruinado que arruinar os outros”. (1)

O Espírito Emmanuel, no capítulo 63 — “Atritos Físicos” de Vinha de Luz, comenta o assunto, mostrando-nos que oferecer a outra face é uma peça de bom senso e lógica rigorosa, pois quando alguém dá um murro, ele está mostrando que há ausência de razão. Em síntese: é um apelo à superioridade que pessoas vulgares desconhecem. (2)

Em todas as circunstâncias adversas, procuremos manter a calma, pois um deslize grave pode trazer consequências desastrosas, consoante a frase: “infelizmente o que está feito, feito está, o que há de vir virá forçosamente".

Fonte de Consulta 

(1) KARDEC, Allan. Capítulo 12 de O Evangelho Segundo o Espiritismo .

(2) XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel. 

 

Pesquisa

Visualizações (últimos 30 dias)

Siga-nos