Se Alguém te Ferir a Face Direita


O texto evangélico: Vós tendes ouvido o que se disse: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, digo-vos que não resistais ao mal; mas se alguém te ferir tua face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quer demandar-te em juízo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e se alguém te obrigar a ir carregado mil passos, vai com ele ainda mais outros dois mil. Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes. (Mateus, V: 38-42). (1)

Moisés, por volta de 1600 a.C., revelou aos homens a existência de um Deus único. Recebeu o Decálogo, ou dez mandamentos. Paralelamente, como disciplinador, coloca em prática a lei do olho por olho e dente por dente, de sua própria autoria. Dá a entender que o seu Deus é um Deus de temor, que cobra e castiga sem piedade.

A expressão "olho por olho, dente por dente" vem do Código de Hamurabi, uma das primeiras leis escritas da humanidade, e representa o princípio da retaliação proporcional ou Lei de Talião. A ideia é que a punição deve ser equivalente ao dano causado, evitando excessos e garantindo justiça.

Moisés trouxe a primeira revelação; Jesus, a segunda. A primeira revelação dá relevância ao olho por olho e dente por dente; a segunda fala do amor incondicional, estendendo-o até ao amor ao inimigo. E aqui, como comparação, podemos acrescentar que quando baterem em uma face, devemos mostrar a outra.

De acordo com Allan Kardec, em (1): "são os preconceitos do mundo que levam à suscetibilidade sombria, nascida do orgulho e do exagerado personalismo muito semelhante ao olho por olho da época de Moisés. Mas veio o Cristo e disse: "Não resistais ao que vos fizer mal; mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra"".

A explicação evangélica de oferecer a outra face resume-se: “que o homem deve aceitar com humildade tudo o que tende a reduzir-lhe o orgulho; que é mais glorioso para ele ser ferido que ferir; suportar pacientemente uma injustiça que cometê-la; que mais vale ser enganado que enganar, ser arruinado que arruinar os outros”. (1)

O Espírito Emmanuel, no capítulo 63 — “Atritos Físicos” de Vinha de Luz, comenta o assunto, mostrando-nos que oferecer a outra face é uma peça de bom senso e lógica rigorosa, pois quando alguém dá um murro, ele está mostrando que há ausência de razão. Em síntese: é um apelo à superioridade que pessoas vulgares desconhecem. (2)

Em todas as circunstâncias adversas, procuremos manter a calma, pois um deslize grave pode trazer consequências desastrosas, consoante a frase: “infelizmente o que está feito, feito está, o que há de vir virá forçosamente".

Fonte de Consulta 

(1) KARDEC, Allan. Capítulo 12 de O Evangelho Segundo o Espiritismo .

(2) XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel. 

 

Aristocracia

 


Etimologicamente, a aristocracia é o “governo dos melhores” (do grego aristos, melhor e kratos, poder). Segundo Platão, os filósofos eram os mais sábios e os mais capacitados para dirigir uma nação. Isto não implicava a ideia de transmissão hereditária de privilégios sociais que prevaleceu em seguida.

As formas de governo podem ser resumidas em três (de um só, de poucos e de todos). Aristóteles (384-322) nomeia-as: a monarquia, em que o poder se concentra em uma pessoa; a aristocracia, em que o poder se concentra num grupo de pessoas; a democracia, em que o povo exerce o poder através de representantes eleitos. Cada uma dessas formas pode se degenerar: a monarquia, em tirania, a aristocracia, em timocracia e a democracia, em demagogia. Por esta razão, Montesquieu (1689-1755) elaborou a Teoria da Separação dos Poderes, em O Espírito das Leis.

Poder — Do latim potere é, literalmente, o direito de deliberar, agir e mandar e também, dependendo do contexto, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, ou o império de dada circunstância ou a posse do domínio, da influência ou da força. A sociologia define poder, geralmente, como a habilidade de impor a sua vontade sobre os outros, mesmo se estes resistirem de alguma maneira. Para Hobbes, o poder é algo que “se baseia nos meios para obter uma vantagem”; para Russel, “o conjunto de meios que permitem obter efeitos desejados”.

Historicamente, a autoridade pode ser assim resumida. Na antiguidade, era exercida pelos chefes de família, ou seja, pelos patriarcas. Com o aumento populacional e a complexidade das sociedades, foi preciso substituir os chefes de família pelos homens fortes, o exército. O poder militar juntou-se ao poder eclesial, criando, na Idade Média, a autoridade de Nascença. Depois foi-lhe acrescentada a influência do dinheiro e da inteligência, que ainda perduram na época atual.

Allan Kardec retoma esse tema em Obras Póstumas. Ele quer nos mostrar que a inteligência é neutra e nem sempre conduz os homens aos melhores resultados. Acha que a inteligência deve ter uma direção, direção esta dada pela moral. Por isso, o termo aristocracia intelecto-moral. Entendamos a sua dinâmica. É ela que conduzirá o homem ao reino do bem na Terra, pois fará com que os detentores do poder baseiem as suas decisões apenas no bem comum e não nos seus interesses pessoais, como sói ainda acontecer presentemente. Allan Kardec diz-nos que todas as aristocracias tiveram a sua razão de ser e atenderam a uma necessidade peremptória da população. Porém, nenhuma delas teve por base o princípio moral; “só este princípio pode constituir uma supremacia durável, porque terá de animá-lo sentimentos de justiça e caridade”.

As falcatruas políticas que sempre houve, e ainda há, não impedirão a implantação desta aristocracia intelecto-moral? Não. De acordo com Allan Kardec, o bem deverá suplantar o mal. Acrescenta que os homens de bem não fazem alarde de suas obras; os maus, sim. Dia virá em que, por força da inexorabilidade do progresso, os homens que ocuparão os postos de comando serão os mais inteligentes e os mais moralizados.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, no lugar da fé cega, que aniquila a liberdade de pensar, diz: “Não há fé inabalável, senão a que possa encarar, face a face a razão, em todas as épocas da Humanidade. A fé necessita de base e esta base consiste na inteligência perfeita daquilo em que se haja de crer. Para crer, não basta ver, é, sobretudo, preciso compreender”. Nesse caso, podemos apontar o Espiritismo como um dos principais precursores da aristocracia do futuro, a aristocracia intelecto-moral.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. Obras Póstumas. 15. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975, capítulo sobre Aristocracias, p. 239 a 245.

 

D. Pedro II — A Missão do Espírito Longinus


"D. Pedro II" é o título do capítulo 20, do livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", pelo Espírito Irmão X e psicografia de Francisco Cândido Xavier. 

... Recebendo as confidências de Ismael, que apelava para a sua misericórdia infinita, considerou o Senhor a necessidade de polarizar as atividades do Brasil num centro de exemplos e de virtudes, para modelo geral de todos. Chamando Longinus à sua presença, falou com bondade:

— Longinus, entre as nações do orbe terrestre, organizei o Brasil como o coração do mundo. Minha assistência misericordiosa tem velado constantemente pelos seus destinos e, inspirando a Ismael e seus companheiros do Infinito, consegui evitar que a pilhagem das nações ricas e poderosas fragmentasse o seu vasto território, cuja configuração geográfica representa o órgão do sentimento no planeta, como um coração que deverá pulsar pela paz indestrutível e pela solidariedade coletiva e cuja evolução terá de dispensar, logicamente, a presença contínua dos meus emissários para a solução dos seus problemas de ordem geral. Bem sabes que os povos têm a sua maioridade, como os indivíduos, e se bem não os percam de vista os gênios tutelares do mundo espiritual, faz-se mister se lhes outorgue toda a liberdade de ação, a fim de aferirmos o aproveitamento das lições que lhes foram prodigalizadas.

"Sente-se o teu coração com a necessária fortaleza para cumprir uma grande missão na Pátria do Evangelho?"

— Senhor — respondeu Longinus, num misto de expectativa angustiosa e de refletida esperança —, bem conheceis o meu elevado propósito de aprender as vossas lições divinas e de servir à causa das vossas verdades sublimes, na face triste da Terra. Muitas existências de dor tenho voluntariamente experimentado, para gravar no íntimo do meu espírito a compreensão do vosso amor infinito, que não pude entender ao pé da cruz dos vossos martírios no Calvário, em razão dos espinhos da vaidade e da impenitência, que sufocavam, naquele tempo, a minha alma. Assim, é com indizível alegria, Senhor, que receberei vossa incumbência para trabalhar na terra generosa, onde se encontra a árvore magnânima da vossa inesgotável misericórdia. Seja qual for o gênero de serviços que me forem confiados, acolherei as vossas determinações como um sagrado ministério.

— Pois bem — redarguiu Jesus com grande piedade —, essa missão, se for bem cumprida por ti, constituirá a tua última romagem pelo planeta escuro da dor e do esquecimento. A tua tarefa será daquelas que requerem o máximo de renúncias e devotamentos. Serás imperador do Brasil, até que ele atinja a sua perfeita maioridade, como nação. Concentrarás o poder e a autoridade para beneficiar a todos os seus filhos. Não é preciso encarecer aos teus olhos a delicadeza e sublimidade desse mandato, porque os reis terrestres, quando bem compenetrados das suas elevadas obrigações diante das leis divinas, sentem nas suas coroas efêmeras um peso maior que o das algemas dos forçados. A autoridade, como a riqueza, é um patrimônio terrível para os espíritos inconscientes dos seus grandes deveres. Dos teus esforços se exigirá mais de meio século de lutas e dedicações permanentes. Inspirarei as tuas atividades; mas, considera sempre a responsabilidade que permanecerá nas tuas mãos. Ampara os fracos e os desvalidos, corrige as leis despóticas e inaugura um novo período de progresso moral para o povo das terras do Cruzeiro. Institui, por toda parte, o regime do respeito e da paz, no continente, e lembra-te da prudência e da fraternidade que deverá manter o país nas suas relações com as nacionalidades vizinhas. Nas lutas internacionais, guarda a tua espada na bainha e espera o pronunciamento da minha justiça, que surgirá sempre, no momento oportuno. Fisicamente consideradas, todas as nações constituem o patrimônio comum da humanidade e, se algum dia for o Brasil menosprezado, saberei providenciar para que sejam devidamente restabelecidos os princípios da justiça e da fraternidade universal. Procura aliviar os padecimentos daqueles que sofrem nos martírios do cativeiro, cuja abolição se verificará nos últimos tempos do teu reinado. Tuas lides terminarão ao fim deste século, e não deves esperar a gratidão dos teus contemporâneos; ao fim delas, serás alijado da tua posição por aqueles mesmos a quem proporcionares os elementos de cultura e liberdade. As mãos aduladoras, que buscarem a proteção das tuas, voltarão aos teus palácios transitórios, para assinar o decreto da tua expulsão do solo abençoado, onde semearás o respeito e a honra, o amor e o dever, com as lágrimas redentoras dos teus sacrifícios. Contudo, amparar-te-ei o coração nos angustiosos transes do teu último resgate, no planeta das sombras. Nos dias da amargura final, minha luz descerá sobre os teus cabelos brancos, santificando a tua morte. Conserva as tuas esperanças na minha misericórdia, porque, se observares as minhas recomendações, não cairá uma gota de sangue no instante amargo em que experimentares o teu coração igualmente trespassado pelo gládio da ingratidão. A posteridade, porém, saberá descobrir as marcas dos teus passos na Terra, para se firmar no roteiro da paz e da missão evangélica do Brasil.

Longinus recebeu com humildade a designação de Jesus, implorando o socorro de suas inspirações divinas para a grande tarefa do trono.

Ele nasceria no ramo enfermo da família dos Braganças; mas, todas as enfermidades têm na alma as suas raízes profundas. Se muitas vezes parece permanecer a herança psicológica, é que o sagrado instituto da família, dentro da lei das afinidades, frequentemente se perpetua no infinito do tempo. Os antepassados e seus descendentes, espiritualmente considerados, são, às vezes, as mesmas figuras sob nomes vários, na árvore genealógica, obedecendo aos sábios dispositivos da lei de reencarnação. Foi assim que Longinus preparou a sua volta à Terra, depois de outras existências tecidas de abnegações edificantes em favor da humanidade, e, no dia 2 de dezembro de 1825, no Rio de Janeiro, nascia de D. Leopoldina, a virtuosa esposa de D. Pedro, aquele que seria no Brasil o grande imperador e que, na expressão dos seus próprios adversários, seria o maior de todos os republicanos de sua pátria.

Curiosidades sobre D. Pedro II

No centenário da independência dos Estados Unidos, D. Pedro II esteve lá representando o Brasil. Foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, sendo aclamado como um intelectual, um cientista que falava fluentemente vários idiomas, inclusive o tupi-guarani. .

Foi considerado o maior estadista que o Brasil já teve. Ainda hoje o seu nome é lembrado pelos norte-americanos. No Brasil, contudo, há escola de samba denegrindo o seu nome. 

No centenário da Independência americana estavam comemorando o afastamento do sistema monárquico europeu e propugnando a nova politica internacional — a República. 

O contraste: o centenário de uma República e um monarca. D. Pedro II foi o primeiro monarca a pisar no solo americano, e recebido como muito satisfação e alegria. Diziam que ele era um cidadão imperial, pois conversava com as pessoas naturalmente, sem a pompa imperial. Participou de diversos debates, e percorreu os Estados Unidos da Costa Oeste à Costa Leste, viajando de trem.

O navio que ele chegou aos Estados Unidos se chamava "Rússia". Foi como um passageiro normal. Quando a imprensa o descobre, responde: "eu vim aqui para participar do maior encontro da ciência e tecnologia do mundo".  

Era considerado uma das maiores personalidades do mundo.

Entrevista com Gérson Gomes. Link: Rádio Auri Verde Brasil 



Espiritismo Básico, por Pedro Franco Barbosa

 


Pedro Franco Barbosa, nas palavras de Deolindo Amorim — apresentador do livro — é titular de alto cargo jurídico na administração federal, muito respeitado entre seus pares. Contudo, ele não é somente um pesquisador do Direito, mas principalmente um estudioso do Espiritismo. Eis os tópicos elencados junto ao título: — As Origens, a Natureza, as Características. — Os Princípios Básicos. — A Codificação: a Filosofia, a Ciência, a Religião. — O Homem: Constituição e Destino. — A Literatura Espírita: Mediúnica e Não Mediúnica.

Neste livro, entraremos em contato com os fatos históricos do espiritualismo e o aparecimento do termo “Espiritismo”, cunhado por Allan Kardec. Temos, assim, informações sobre “O Episódio de Hydesville”, “As Mesas Girantes"... Além disso, sintetiza a histórica do espiritismo no Brasil, realçando as notícias das mesas girantes, a obra pioneira de Luiz Olímpio Teles de Menezes e os fatos espíritas notáveis.

Parte de uma necessidade dos frequentadores de Centros Espíritas de entrarem em contato com a Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec. Ele nos diz: “observamos que, em sua maioria, tem dificuldade de conhecê-la, seja por falta de um livro que resuma os ensinamentos básicos do espiritismo, seja pela impossibilidade de aquisição das numerosas obras que tratam, de per si, dos assuntos mais importantes da terceira revelação". Procurou, assim, reunir o máximo de material, dispondo-o numa linguagem clara e acessível.

Apoiando-se em Deolindo Amorim, José Herculano Pires, Carlos Imbassahy, Hernani Guimarães Andrade, Zeus Wantuil, Francisco Thiesen, Léon Denis e Camille Flammarion, mostra-nos o cuidado em expor as pesquisas e experiências desses baluartes do espiritismo, no sentido de  enriquecer a própria Doutrina Espírita. Ao enfatizar o caráter da revelação espírita, procura diferenciá-la da umbanda, do espiritualismo e de outras correntes filosóficas, pois os conceitos aí defendidos podem confundir o entendimento correto da pureza doutrinária.

Lendo este livro podemos nos inteirar não só do conhecimento doutrinário, mas também de algumas curiosidades. Eis uma delas:

A tragédia do circo de Niterói, por exemplo, reuniu comparsas do crime na velha Lião, nas Gálias (v. “Reformador" de março de 1962 "Tragédia no Circo", do Irmão X). No terrível incêndio do Edifício Joelma, de São Paulo, ocorrido em 1º de fevereiro de 1974, a Justiça Divina reuniu, para o resgate de crimes comuns, antigos combatentes cristãos das Cruzadas, que queimavam vivos os inimigos (v. "Diálogo dos Vivos", psicografado por Chico Xavier e comentado por Herculano Pires, item 26). 

 

10 Aspectos Centrais do Espiritismo pelo ChatGPT

 


10 Aspectos Positivos do Espiritismo Codificado por Allan Kardec

O Espiritismo, codificado por Allan Kardec no século XIX, tem várias contribuições que são vistas como positivas tanto para os indivíduos quanto para a sociedade. Abaixo estão 10 aspectos positivos dessa filosofia e doutrina:

Esses aspectos refletem a proposta espírita de levar os indivíduos a buscar uma vida mais equilibrada, ética e em harmonia com os princípios espirituais universais.

Os 10 Aspectos Principais do Espiritismo

Tempo

  


“O tempo é o nosso grande benfeitor.” (Plautino)

“Qual austero gigante que nos guia, / Furioso e rude e, às vezes, triste e lento, / Passa o tempo, na Terra, como o vento, / Renovando-te a senda, cada dia.” (João Coutinho)

“O tempo, quanto o solo, nos devolve o que plantamos, em milagrosa multiplicação.” (Nina Arueira)

“O tempo é um conjunto de leis que não podemos ludibriar.” (Agar)

“O tempo é um empréstimo de Deus. Com ele erramos, com ele retificamos.” (Aparecida)

“O tempo é o campo sublime, que não devemos menosprezar.” (Claudino Dias)

“O tempo, na Terra, é uma bênção emprestada.” (Margarida)

“O tempo é o mais valioso calmante das provações.” (Margarida)

“O tempo é o químico milagroso da Eterna Sabedoria, que nos governa os destinos e, na estrada infinita que nos cabe percorrer, surge, invariavelmente, o dia de nossa transformação.” (Isabel Cintra)

“O homem, voluntariamente cego, / Roga sempre mais tempo para zombar da vida. / Porque, se obedece, revolta-se orgulhoso, / Se sofre, injuria e blasfema, / Se chamado a contas, lavra reclamações descabidas.” (André Luiz)

“Não olvides que o tempo é benfeitor e juiz, multiplicando as bênçãos que somaste ou corrigindo as falhas a que te consagraste, impensadamente.” (Claudino Dias)

“As qualidades edificantes que o Reino do Todo Poderoso espera de nós revelam-se em construção, no terreno de nossa alma. É imprescindível que o tempo nos aprimore os talentos imortais.” (Irmão X)

“O tempo é a sua riqueza, a oportunidade de servir; é a nossa glória sublime.” (José de Castro)

“O tempo o nosso aliado divino.” (Emmanuel)

“Todas as criaturas gozam o tempo e, raras, aproveitam-no.” (André Luiz)

“O tempo modificou a mentalidade humana, adaptando-a para um conhecimento melhor de si mesma.” (Humberto de Campos)

“O tempo é o doador da compaixão divina e, na sua passagem incessante, nos despoja de todos os enganos, ajudando-nos a retificar as apreciações, em torno do caminho que percorremos.” (Emmanuel)

“É preciso o concurso do tempo, a fim de alcançarmos o valor positivo da iluminação espiritual.” (Agar)

Relatos de Pessoas que Desencarnaram na Flor da Idade

 


Elias Barbosa, no livro Entre Duas Vidas, registra as mensagens — algumas com comentário — recebidas pelo médium Francisco Cândido Xavier na Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba, Minas. São relatos de pessoas que desencarnaram na flor da idade aonde narram suas lutas, alegrias e a esperança e o consolo de que a vida não acaba com a morte.

Na apresentação do livro, há defesa da escrita sem os preceitos de literatura. Diz-nos que esses Espíritos comunicantes escrevem-nos com o coração repleto de amor. Muitos esculpiram frases de carinho e reconhecimento. Outros gritaram de saudade e acenaram aos entres queridos em advertências que nos servem a todos.

Sensação de vazio, a separação é ilusória, não mais consigo escrever, o maior fenômeno é este profundo amor que nos reúne uns aos outros — são alguns dentre muitos detalhes que podemos observar na leitura deste livro.  

A seguir algumas notas e seus respectivos capítulos.

Registre-se, entretanto, apenas esses passos: a) "vou percebendo que entregar nosso entendimento em forma de auxílio aos outros é fazer seguro de Vida Espiritual"; b) "aqui, a esposa é acima de tudo, também mãe"; c) "não existem males, no sentido de delinquência. Há ilusões e nessas ilusões nós outros todos andamos". (Cap. 2 — “Festa de Luz”)

Que todos os pais e mães da Terra meditem sobre este trecho antológico da mensagem endereçada ao genitor: "Eu estaria muito triste se houvesse cometido um crime em desacordo com os ensinamentos e exemplos que recebi de sua vida, constantemente, mas, graças a Deus, voltei para cá de consciência tranquila." (Cap. 4 — “De Consciência Tranquila”)

Com lágrimas nos olhos, servindo-se de sua linguagem característica, D. Adelaide não se cansava de repetir: "Que Deus abençoe a mediunidade de Chico Xavier! Que Deus abençoe Allan Kardec e Chico Xavier!" (Cap. 8 — “Letras Formadas com Lágrimas”)

"Choremos porque as lágrimas são orações sem palavras tão-somente aquelas que não guardam a labareda da revolta". (Cap. 9 — “Filho Regressa do Além”)

"Quanto puderem, estudem os assuntos da alma", acrescentando: "São eles os ingredientes capazes de nos trazerem a consolação e a energia pelas quais todos estamos agora profundamente necessitados". (Cap. 13 — “Ante o Mundo Novo”)

Compreendendo, assim, a Verdade, entesourando-lhe as bênçãos, aprendamos a encontrar na morte o grande portal da vida e estaremos incorporando, em nosso próprio espírito, a luz inextinguível da gloriosa imortalidade (Cap. 18 — “Dramática Prova de Autenticidade”)

"Sua mensagem, através do lápis de Chico Xavier, não é senão um manancial de socorro urgente aos queridos pais angustiosamente atingidos no âmago de sua alma.

Ali está o jovem professor em toda a sua firmeza de autonarrador, detalhando trechos de estranha cana, vazada em carinho e profundo sentimento filial, destinado aos queridos pais. E que o exemplo de Agnelinho se torne consolação e certeza de que a morte seja compreendida como recurso de evolução divina, e não como um mal irremediável, separação eterna daqueles que se amaram na romaria terrena, sem uma única possibilidade de se reencontrarem.

A lição da outra vida que nos está sendo oferecida pelo moço idealista, são páginas de um livro aberto onde todos poderão conhecer o significado da morte". (Cap.28 — “A Reencarnação é uma Lei de Justiça”) 

Confortadora, sem dúvida, a primeira mensagem de Rosângela. Que cada um de nós se prepare, condignamente, para quando tiver que se ver em duplicata, frente a frente consigo mesmo, no Mundo Maior. (Cap. 30 — “Lágrimas de Esperança e Coragem”)

Com notável propriedade, assevera Augusto Cézar: "O maior fenômeno é este profundo amor que nos reúne uns aos outros", acrescentando: "Mesmo assim, envio lembranças às meninas e a todos — todos os nossos, desejando que a paz e a bênção de Deus estejam conosco em todos os passos". (Cap. 32 — “Disciplinas Necessárias”)

XAVIER, Francisco Cândido e BARBOSA, Elias. Entre Duas Vidas, pelos Espíritos Diversos. 

 


Mais e Menos

 


Dá sempre do que tenhas, ainda que seja pouco, de vez que muito pior que dar pouco é deteriorar o que se tem nas garras da sovinice.

Serve sempre, ainda que seja pouco, porquanto, muito pior que servir pouco é não ter utilidade para ninguém.

Trabalha sempre, ainda que seja pouco, de vez que muito pior que trabalhar pouco é afundar-se a pessoa no poço da inércia.

Auxilia sempre para o bem de todos, ainda que seja pouco, porquanto muito pior que auxiliar pouco é não auxiliar em favor de alguém, de modo algum.

Espera o melhor sempre, ainda que seja pouco, de vez que muito pior que esperar pouco é naufragar nas sombras do pessimismo.

Estuda sempre, ainda que seja pouco, porquanto muito pior que estudar pouco é acomodar-se a criatura nas trevas da ignorância.

Pratica a humildade sempre, ainda que seja pouco, de vez que muito pior que pouca humildade é petrificar-se alguém na frieza do orgulho.

Exercita a paciência sempre, ainda que seja pouco, porquanto muito pior que pouca paciência é residir a pessoa no espinheiro da irritação.

De tudo o que seja bom e útil, belo e nobre, é conveniente realizar sempre mais, porque, quanto mais fizermos nas áreas do bem, mais amplamente receberemos os bens da vida. Entretanto, se não pudermos realizar o máximo, atendamos pelo menos ao mínimo do que possamos fazer, de vez que muito depende do pouco a fim de começar



Profunda Serenidade

 


“Essa Profunda Serenidade” é um capítulo do livro Pinga-Fogo 1, em que Chico Xavier é questionado sobre a psicografia de romances.

Presentemente, estamos todos apressados, dando mais importância à comunicação superficial do que àquela de conteúdo mais profundo e duradouro.

Observe a situação de Chico Xavier. Desejoso de psicografar romances, recebeu a seguinte instrução do Espírito Emmanuel: “Para que você receba romances, você precisa ter a mente em estado de profunda serenidade. Se você quiser se comprometer a nos oferecer um clima mental adequado, de paciência e de calma, escreveremos por você algumas de nossas memórias”.

Pergunta e a resposta

Herculano Pires — Meu caro Chico. — Eu queria perguntar a você o seguinte: Na imensidade da sua obra psicográfica e também na profundeza dessa obra, você tem uma curiosa série de romances que geralmente chamamos de uma série dos romances romanos de Emmanuel. São romances que se passam na Roma antiga: Há dois mil anos, 50 Anos Depois, Ave Cristo e até mesmo Paulo e Estevão, que segundo me parece é a obra-prima da sua mediunidade no campo da ficção literária, embora eu saiba que os espíritos não têm a intenção de fazer ficção literária e sim de transmitir às criaturas humanas, uma mensagem através das suas próprias experiências de vida. Mas eu queria saber o seguinte: Para escrever esses romances em que figuram não somente as situações geográficas da Roma antiga, as questões políticas, os problemas imperiais, você consultou que livros e que bibliotecas?

Chico Xavier — Não consultei livro algum. Quando ouvi a respeito dos romances mediúnicos recebidos pela médium Zilda Gama, cuja memória nós todos acatamos muito na Doutrina Espírita, eu senti aquele desejo de ser médium também para romances, isso por volta de 1936. Nessa ocasião lidava com um grupo de crianças da família porque, pelo fato de eu não ter renascido nesta existência para o casamento, fiquei com 14 crianças, irmãos menores e sobrinhos dos quais presentemente eu estou distante por haverem crescido e tomado as suas responsabilidades. Nesse tempo a minha cabeça era atormentada por muitos problemas quando eu anunciei o desejo de receber romances, o espírito Emmanuel então me explicou: Para que você receba romances, você precisa ter a mente em estado de profunda serenidade. Se você quiser se comprometer a nos oferecer um clima mental adequado, de paciência e de calma, escreveremos por você algumas de nossas memórias. Mas se puder ou quiser assumir o compromisso. Eu, naquela ocasião, não conseguia assumir o compromisso porque os problemas domésticos eram muitos. De modo que 4 anos se passaram e tão somente em 1939 a começar do fim de 1938, eu assumi com ele o compromisso de me acalmar. Quaisquer que fossem os problemas dentro de casa, com as crianças que já estavam mais crescidas, eu ofereceria a ele um campo mental pacificado na oração. Então ele marcou, que eu me concentrasse durante uma hora por dia e me dispusesse a datilografar outra hora por dia, durante o tempo em que perdurasse a psicografia do romance. Então deu o Há 2000 Anos.  Eu acompanhei a psicografia como acompanho também as nossas novelas da TV, com muito interesse, com muito carinho e torcendo por determinados personagens. Mas eu lia o que a mão escrevia. Peço permissão para aduzir um detalhe interessante. Quando o livro começou, ele começa com uma cena de dois romanos a trocarem ideias no jardim, diante de um céu nebuloso que depois rebentou numa tempestade. Eu comecei a ver aquela cidade e o céu tempestuoso e a chuva caindo e aqueles dois homens vestidos à moda antiga, de túnicas, deitados naqueles sofás longos, comendo frutas com as mãos. Eu me assustei com aquela visão que parecia uma visão estranha porque estava dentro de mim e fora de mim. Comecei a assistir só, a um cinema em que eu tomasse parte na tela e estivesse fora da tela. Então eu me assustei. Parei de escrever. Então ele me disse: “Você está debaixo de uma certa hipnose. Você está vendo o que eu estou pensando. Mas não sabe o que eu estou escrevendo.” De modo que eu vivi muito mais o romance ao recebê-lo, do que ao ler ou reler o que eu escrevia.

Herculano Pires — Eu gostaria então que você esclarecesse bem o seguinte, Chico: Você tinha uma visão assim cinematográfica do enredo. Você estava vendo o desenrolar do romance sem saber bem como, de que maneira. Mas não tinha consciência do que escrevia.

Chico Xavier — Não tinha consciência do que escrevia e nem da continuidade dos assuntos, porque muitos dos personagens que me eram simpáticos e que eu não desejava que sofressem, passaram a sofrer contra a minha vontade.

 

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